terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Hotel Urbano é turismo

Com alto investimento em marketing e aposta em promoções, o Hotel Urbano se tornou o maior site de venda de diárias de hotéis da internet brasileira — e agora promete dar lucroSócios do Hotel Urbano

A indústria do turismo comemorou uma importante marca no ano passado. Pela primeira vez, 1 bilhão de turistas cruzaram as fronteiras de seus países. O número é mais do que o dobro do registrado em meados dos anos 90, quando a internet começou a se popularizar no mundo e surgiram os primeiros sites de venda de passagens online.
Os dados mais recentes mostram que a internet tem sido peça-chave para a atração de novos viajantes. Nos Estados Unidos, de acordo com a consultoria Phocus Wright, 60% das compras relacionadas ao turismo são feitas pela web. No Brasil, o percentual é de 20% e tem crescido à medida que mais brasileiros estão se conectando.
Segundo o instituto de pesquisa Ibope, dos 100 milhões de usuários de internet do Brasil, 26% navegaram em sites do setor de turismo no último mês de junho. Entre as empresas que estão aproveitando o avanço das vendas online desse segmento no Brasil, o maior destaque é o Hotel Urbano.
A startup foi criada no Rio de Janeiro no início de 2011 pelos irmãos João Ricardo e José Eduardo Mendes e, em menos de três anos, já apresenta números de gente grande. Deverá faturar 500 milhões de reais em 2013, mais de quatro vezes o resultado de seu primeiro ano de operação.
O site hoje domina 35% da audiência das páginas relacionadas a turismo no Brasil, o dobro da participação da segunda colocada, a Decolar. Também é destaque mundial. Com quase 8 milhões de “curtidas” no Facebook, o Hotel Urbano é a maior fanpage do setor no mundo.
Números assim estão levando o Hotel Urbano a ser chamado de “a Netshoes do turismo”, uma referência à maior vendedora online de artigos esportivos da América Latina, que faturou 1 bilhão de reais em 2012. 
Assim como a Netshoes, o Hotel Urbano adotou uma estratégia agressiva de marketing, o que — até agora — tem pavimentado seu sucesso. Todos os meses, a empresa investe 5 milhões de reais em publicidade na internet. As promoções são a principal causa da audiência.
No Carnaval deste ano, a empresa lotou três aviões fretados com a venda de viagens para Orlando, nos Estados Unidos, e causou furor nas redes sociais com pacotes para a Disney a preços competitivos.
Mesmo comercializando hotéis mais baratos, situados, às vezes, em bairros pouco estrelados nos destinos turísticos, o Hotel Urbano mantém uma classificação positiva no Reclame Aqui, site usado por consumidores brasileiros para reportar queixas contra empresas. Sua nota é “bom”, com um índice de 74% de casos solucionados.
Definir a estratégia de marketing, principalmente sabendo como fazer o site aparecer com mais destaque para quem busca na internet por expressões como “feriado em Nova York” ou “férias em Porto Seguro”, é uma espécie de obsessão dos irmãos Mendes desde o início de sua empreitada nos negócios ponto-com.
Ela começou quando João voltou de uma viagem para Londres, em 2002, e percebeu o potencial de crescimento das varejis
tas online. Passou a estudar como funcionavam os principais sites de comércio eletrônico do mundo e, em 2006, na garagem da casa da família, montou a ApetreXo, site que vendia de canetas a computadores da Apple.

João convocou o irmão, que trabalhava em uma loja de sapatos para pagar a faculdade de administração de empresas, para se tornar seu sócio. A ApetreXo, que chegou a faturar 76 milhões de reais em 2009, foi vendida pelos Mendes aos outros sócios naquele ano por um valor não revelado.
Foi com esse dinheiro que eles começaram a montar o plano de negócios do Hotel Urbano, que começou como um site de compras coletivas e, em 2012, passou a ser uma agência de turismo online. Hoje, os Mendes e mais uma sócia, a publicitária Roberta Oliveira, detêm 60% da empresa. Os outros 40% são do fundo de capital de risco Insight Venture Partners.
O grande acerto dos irmãos foi ter se reposicionado no mercado rapidamente. Em vez de ofertas tentadoras, mas com pouca flexibilidade e que ficam no ar por algumas horas, como manda a cartilha de empresas de compras coletivas, o Hotel Urbano optou por oferecer ferramentas para escolher as datas de saída e chegada.
A partir de agosto, a empresa passará a vender passagens aéreas, além das diárias em hotéis e dos pacotes que já comercializa. Se no primeiro ano o foco da empresa foi vender destinos pouco explorados e pequenas e médias pousadas, atualmente o alvo é ampliar a parceria com resorts.
Outra estratégia é a expansão de pontos de venda em shoppings brasileiros. Até 2014, serão aproximadamente dez lojas. Até agora, os sócios inauguraram dois pontos de venda, o primeiro em um centro de compras voltado à classe média alta na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e o segundo em um shopping popular em Campo Grande, em Mato Grosso do Sul.
Está prevista ainda para este ano a abertura da primeira loja em São Paulo. A (pouca) experiência no varejo físico já serviu para mostrar que o valor médio das compras presenciais é maior que o das compras online — 5 000 reais na loja carioca ante 1 200 reais no site.
“Com atendimento personalizado no ponto de venda, conseguimos vender produtos mais caros”, afirma o fundador José Eduardo. A internacionalização também está nos planos da empresa, que pretende abrir lojas na Argentina e na Colômbia.
As metas ambiciosas e o sucesso dos irmãos têm chamado a atenção do mercado. As estimativas são que a companhia já tenha alcançado valor de mercado de 1 bilhão de reais.
Até agora, foram duas as propostas sérias de compra — a primeira vinda do controlador do holandês Booking.com, o maior site do setor do mundo, e a segunda feita pelo Carlyle, o fundo de private equity americano que controla a CVC, maior empresa de turismo do país. Procuradas, as empresas não quiseram comentar as ofertas.
Por enquanto, os sócios dizem não querer vender. A exemplo da Netshoes, o Hotel Urbano planeja abrir capital na Nasdaq. Por ora, o plano é fazer a abertura em 2016. “Queremos ser um exemplo para quem está começando uma empresa em sua garagem”, afirma João.

Clube das bilionárias
A entrada do Hotel Urbano no clube das startups brasileiras avaliadas em 1 bilhão de reais não exime seus controladores de sua maior tarefa: transformar a empresa numa operação altamente lucrativa. Mesmo com o faturamento projetado em 500 milhões de reais, o Hotel Urbano começou a dar lucro — modesto — apenas neste ano.
“A gente quer crescer. Tivemos prejuí­zo nos dois primeiros anos. Mas hoje nosso fluxo de caixa é positivo”, diz João. Parte do mercado considera que os irmãos ainda precisam entregar mais para passar no teste das promessas que não morrem na praia — a história da internet é pródiga em empresas que apostam demais em crescimento sem gerar valor e acabam fechando.
“A receita de uma startup não pode ser o único critério a ser avaliado”, diz Daniel Cunha, sócio do fundo de investimento Initial Capital, com sede em São Paulo. A julgar pelos últimos três anos, vai ser difícil colocar isso na cabeça dos irmãos, que não estão acostumados a tirar o pé do acelerador.
Enquanto os brasileiros continuarem gastando cada vez mais em viagens ao exterior, o site deverá seguir com a audiência lá no alto — mantendo vivo o sonho da família Mendes de apertar o botão de abertura do pregão na Nasdaq.Turistas visitam Pompeia, sul da Itália

"Turismo catástrofe" é lucrativo, do Japão a Nova Orleans

 Rikuzentakata era uma cidade famosa por sua praia e por seus pinheiros majestosos no Pacífico japonês. Mas desde o tsunami de 2011, converteu-se em um polo de "turismo catástrofe", uma atividade lucrativa em muitos pontos do planeta.

A atração para alguns é puramente mórbida - vontade de contemplar as desgraças alheias - mas também há os que buscam compartilhar a dor e encarar o impensável.
"A pessoa não consegue se dar conta da monstruosidade do tsunami sem vir aqui para vê-lo com seus próprios olhos", afirmou Akira Shindo, um japonês de 15 anos que mora em Nova York.
O jovem se inscreveu em um tour pelo litoral nordeste do arquipélago, onde uma onda gigantesca arrasou no dia 11 de março de 2011 tudo o que encontrou pela frente.
O tsunami e o terremoto que o precedeu, de magnitude 9, deixaram ao menos 18.000 mortos.
Um dos principais atrativos deste "Tsunamiland" é o único pinheiro que ficou de pé. Os outros 70.000 foram arrancados pelas forças da natureza.
O "pinheiro milagroso" também acabou morrendo, corroído pela água marinha, mas foram investidos 150 milhões de ienes (1,6 milhão de dólares) para reconstituí-lo. Os meios de comunicação seguiram passo a passo o processo e o tronco embalsamado se converteu em um totem contra o esquecimento.
"Era a árvore mais alta, de 27 metros", afirma Mitsuko Morinaga, um guia voluntário de 62 anos que leva os turistas pela cidade ainda desfigurada pela fúria da terra e dor mar.
"Queria impedir que a lembrança do desastre se apagasse", disse à AFP Shuichi Matsuda, o agente de viagem que organizou esta excursão de 24 pessoas. O ônibus para na frente de um pequeno altar, onde cada participante deixa uma flor, já incluída no valor do passeio.Os turistas não demonstram nenhuma fascinação doentia. Parecem, principalmente, impactados pelo panorama da devastação e tentam expressar, quando são interrogados, o espanto pela quantidade de vítimas perdidas.

Apesar de tudo, as zonas atingidas fascinam, assim como fascinam as imagens de um domador atacado por suas feras ou de um equilibrista que cai no vazio.
Em Louisiana (sudeste dos Estados Unidos), muitos turistas seguem visitando os bairros de Nova Orleans que ficaram há sete anos sob as águas do furacão Katrina.
Os moradores de um bairro reconstruído, saturados pela curiosidade mórbida de muitos visitantes, obtiveram a proibição deste tipo de excursões.
Em um cruzamento, um cartaz afirma: "Turistas, se envergonhem. Sigam seu caminho. Estão pagando por minha dor. Aqui morreram 1.600 pessoas".
Uma porta-voz do gabinete de turismo, Lauren Cason, afirma que os visitantes são bem-vindos, mas que os habitantes gostariam que sejam vistas as coisas positivas, como os esforços para reconstruir sua vida e sua cidade.
"Tentamos destacar que (Nova Orleans) é novamente uma cidade florescente", disse Cason à AFP.
Os grandes ônibus já não vêm, mas os "voyeurs" seguem chegando.
Duas agências de turismo (das trinta que a cidade possui) propõem seus "Katrina tours". Outros curiosos vêm com seus carros ou de táxi, rastreando vestígios do desastre.
Na Nova Zelândia, os moradores de Christchurch precisaram se acostumar com estes turistas que não param de fotografar e filmar as ruínas da catedral anglicana, outrora símbolo da cidade destruída em fevereiro de 2011 por um terremoto que deixou 185 mortos.

Um estudo da universidade local indicou que os habitantes queriam, apesar de tudo, regulamentar os tours e exigiam uma atitude respeitosa de visitantes fascinados pela morte e pelas catástrofes.
No entanto, estes turistas, pouco importa suas motivações, fornecem receitas às zonas que precisam delas com urgência para os trabalhos de reconstrução.
Em Rikuzentakata, Akira Oikawa é ciente disso e vende peixe, algas e outros produtos marinhos aos turistas.
"Agradecemos que venham e comprem produtos locais", afirmou o vendedor, antes de acrescentar: "Mas dói quando nos perguntam quantas pessoas morreram aqui. Gostaríamos de receber um pouco mais de empatia", comenta.
Um total de 1.800 pessoas morreram em Rikuzentakata.
Em audiência pública no Senado, o jornalista americano Glenn Greenwald, do jornal britânico "The Guardian", que revelou ao mundo o programa de espionagem dos EUA, disse nesta terça-feira (6) que há muitos documentos vazados que não têm nenhuma relação com o terrorismo, mas dizem respeito à competição industrial e a interesses comerciais do governo americano.
Segundo Greenwald, que publicou os dados revelados por Edward Snowden, ex-técnico da agência de segurança americana (NSA), o governo americano quer fazer crer que o seu programa se justifica para defender o país de ações terroristas. "[Mas] Não tem nada a ver com terrorismo. É sabotagem contra atos comerciais."

AUDIÊNCIA NO SENADO

  • Greenwald: governo dos EUA espiona por vantagens comerciais
  • Suplicy usa máscara de Snowden durante audiência no Senado
Greenwald descreveu os programas usados pelo governo americano e afirmou ainda que o governo teve acesso ao conteúdo das mensagens vazadas, e não apenas aos metadados (título e destinatário de emails e números discados de ligações telefônicas, por exemplo), conforme admitiu. "O governo americano teve acesso também ao conteúdo das mensagens e das comunicações por telefone, e não só aos metadados."
O jornalista explicou que, por conta da grande quantidade de mensagens e ligações telefônicas, o governo americano primeiro capta os metadados de tudo e só invade o conteúdo daquilo que interessa.
"O governo americano tem capacidade para invadir o conteúdo dos e-mails. Eles estão captando os metadados para então decidir quais e-mails, quais ligações são interessantes para o governo americano. [Quando dizem que só veem os metadados,] é o jeito mais limitado, mais falso [de admitir a espionagem]. Têm não só a capacidade, mas usam programas para invadir o conteúdo."
Segundo o jornalista, o esquema de espionagem começou no Afeganistão e no Iraque na época em que esses países foram invadidos por tropas americanas, em 2001 e 2003, respectivamente. No caso do Brasil, o país teria virado foco das investigações americanas quando o ex-presidente Lula resolveu, em 2010, intermediar, ao lado da Turquia, uma saída negociada com o Irã sobre o seu programa nuclear. 
Ele disse também que os EUA espionam a China há bastante tempo. "O governo do Obama está reclamando há três, quatro anos da China que estaria fazendo espionagem para ter vantagens comerciais, mas Snowden, quando foi para Hong Kong, mostrou documentos que comprovam que os EUA espionam a China há muito mais tempo para justamente ter vantagens comerciais."
Uma das consequências mais graves do programa americano, disse, é que o equilíbrio de poderes entre as nações fica comprometido, além de interferir na privacidade das pessoas.
"O balanço do poder muda muito quando tem um Estado que consegue saber tudo sobre outro Estado. Esse país vai ficar com muito mais poder", afirmou, referindo-se aos Estados Unidos. "Quando a internet vira uma ferramenta de controle, acho que o comportamento das pessoas muda e fica mais restrito quando se sabe que está sendo monitorado."

Como era o esquema

O jornalista afirmou também que o sistema de espionagem é muito complexo, envolvendo em torno de 70 mil pessoas, o que torna difícil controlar quem tem acesso a esses dados, como Snowden, que, segundo ele, pegou "20, 25 mil documentos supersecretos". "O problema é, quando se tem um sistema desse tamanho, é difícil controlar esse número grande de pessoas."
O governo americano, através da agência de segurança NSA, utilizava programas secretos de interceptação de dados, como o Prism.
Alguns documentos foram vazados pelo ex-técnico da NSA, Edward Snowden, que, desde então, é procurado pelo governo dos EUA. Snowden encontra-se agora em Moscou, na Rússia, com status de "refugiado". Os EUA negociam com o governo russo sua extradição.
O programaO Prism é um programa de inteligência secreta americana que daria ao governo acesso aos dados de usuários de serviços de grandes empresas de tecnologia
Quais dados?Não se sabe exatamente, mas qualquer informação poderia ser consultada. O jornal 'Washington Post' cita e-mail, chat, fotos, vídeos e detalhes das redes sociais
Quem sabia?Segundo Obama, o programa foi aprovado pelo Congresso e é fiscalizado pelo Poder Judiciário no país. Todas as empresas negaram participação
FuncionamentoDe acordo com fontes do jornal britânico 'The Guardian', o governo poderia ter acesso aos dados sem o consentimento das empresas, mas, como eles são criptografados, precisaria de chaves que só as companhias possuem
Empresas possivelmente envolvidasMicrosoft, Google, Facebook, Yahoo, Apple, Paltalk, Skype, Youtube, AOL
Em junho, os jornais "The Guardian" e "The Washington Post" divulgaram documentos secretos que indicam que a NSA tinha acesso secreto a gravações telefônicas e da internet de milhões de usuários nos Estados Unidos. O esquema envolveu aindaoutros países, como o Brasil, conforme revelou o jornal "O Globo". Segundo o periódico, documentos sigilosos da NSA mostram que México, Venezuela, Argentina, Colômbia e Equador, entre outros, também estavam sob vigilância americana.
Greenwald acrescentou que não dispõe dos nomes das empresas privadas que colaboram com o governo americano no seu esquema de espionagem. "O interessante é que [a identidade das empresas] é o que a NSA está mais protegendo."
Ele disse que não possui nenhum documento em que as empresas estejam identificadas, porque a agência dos EUA usa codinomes para se referir a elas. O jornalista ressalta, porém, que, embora ele não tenha poder para exigir essas informações, o Senado e a Câmara dos EUA têm esse poder e deveriam exigir que revelassem essas informações.
O conteúdo da audiência servirá de base para um relatório a ser elaborado pela comissão sobre o caso. Em audiências realizadas em julho, os ministros Antonio Patriota (Relações Exteriores)Celso Amorim (Defesa) e Paulo Bernardo (Comunicações) admitiram vulnerabilidade no sistema de comunicação do Brasil.

GRAMPOS NOS EUA

O jornalista Gleen Greenwald, que revelou as primeiras informações da rede de espionagem mundial dos Estados Unidos a partir dos vazamentos do ex-técnico da CIA Edward Snowden, afirmou nesta terça-feira que o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, parabenizou a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) pela espionagem feita no Brasil. Segundo o jornalista, uma carta de Shannon "festeja" um acordo econômico em que os EUA levaram vantagem sobre o Brasil, graças à espionagem feita pelo governo americano que revelou as estratégias brasileiras. 
"Tem uma carta muito interessante assinada por Thomas Shannon onde ele festeja com a NSA a espionagem que os Estados Unidos fizeram no País antes de uma conferência internacional onde foi fechado um acordo econômico. A espionagem deu ao governo americano muita vantagem para saber as estratégias do Brasil", revelou o jornalista nesta terça em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado.
A justificativa do governo americano é que a espionagem tem o objetivo de prevenir e identificar ações terroristas, mas o jornalista refuta a hipótese. "Desde o 11 de Setembro a desculpa é que os americanos fazem tudo pela segurança nacional, mas realidade é o oposto. Há muitos documentos que não falam em terrorismo ou proteção nacional, mas falam sobre competição entre empresas, sobre acordos econômicos, sobre levar vantagem em contratos multilaterais", disse. 
Greenwald também desmentiu a justificativa dada por Thomas Shannon ao governo brasileiro de que os EUA estariam apenas monitorando "metadados" - como tempo de ligações telefônicas e destino de e-mails. "O governo americano tem capacidade de invadir e-mails, não só metadados. Assuntos que estão sendo discutidos no e-mail, no telefone. Esse programa é mais poderoso, mais assustador sistema que já tivemos", afirmou. 
O objetivo dos Estados Unidos é eliminar a privacidade do mundo
Gleen Greenwaldjornalista
Segundo o jornalista americano, a NSA tem acordo com as nove maiores empresas de comunicação do mundo - incluindo Apple, Microsoft e Google - para ter acesso aos sistemas dessas companhias. "O objetivo dos Estados Unidos é eliminar a privacidade do mundo. Esse objetivo não é só teórico, já está acontecendo. O sistema que está sendo construído tem muito poder para coletar quase todas as informações trocadas no mundo. O balanço do poder fica muito desequilibrado quando uma nação sabe tudo o que acontece em outra nação", afirmou o jornalista, em breve exposição no início de audiência pública no Senado. 
Greenwald foi procurado pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden para divulgar documentos que comprovam que vários países, incluindo o Brasil, estão sendo monitorados pelos Estados Unidos. Snowden é procurado pelas autoridades americanas pelo vazamento de segredos sobre os sistemas de monitoramento de telecomunicações do governo e foi provisoriamente asilado na Rússia, após passar 40 dias "morando" no aeroporto de Moscou.
20 mil documentos
Greenwald afirmou ainda ao Senado que recebeu cerca de 20 mil documentos do ex-técnico da inteligência americano Edward Snowden relacionados com espionagem. Greenwald, que não informou sobre o conteúdo dos documentos, fez essa revelação ante a Comissão de Relações Exteriores do Senado, que o convocou para abordar as denúncias de espionagem por parte da NSA.
Espionagem americana no Brasil
Matéria do jornal O Globo de 6 de julho denunciou que brasileiros, pessoas em trânsito pelo Brasil e também empresas podem ter sido espionados pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (National Security Agency - NSA, na sigla em inglês), que virou alvo de polêmicas após denúncias do ex-técnico da inteligência americana Edward Snowden. A NSA teria utilizado um programa chamado Fairview, em parceria com uma empresa de telefonia americana, que fornece dados de redes de comunicação ao governo do país. Com relações comerciais com empresas de diversos países, a empresa oferece também informações sobre usuários de redes de comunicação de outras nações, ampliando o alcance da espionagem da inteligência do governo dos EUA.
Ainda segundo o jornal, uma das estações de espionagem utilizadas por agentes da NSA, em parceria com a Agência Central de Inteligência (CIA) funcionou em Brasília, pelo menos até 2002. Outros documentos apontam que escritórios da Embaixada do Brasil em Washington e da missão brasileira nas Nações Unidas, em Nova York, teriam sido alvos da agência.
Logo após a denúncia, a diplomacia brasileira cobrou explicações do governo americano. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, afirmou que o País reagiu com “preocupação” ao caso.
O embaixador dos Estados Unidos, Thomas Shannon negou que o governo americano coleta dados em território brasileiro e afirmou também que não houve a cooperação de empresas brasileiras com o serviço secreto americano.
Por conta do caso, o governo brasileiro determinou que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) verifique se empresas de telecomunicações sediadas no País violaram o sigilo de dados e de comunicação telefônica. A Polícia Federal também instaurou inquérito para apurar as informações sobre o caso.
Após as revelações, a ministra responsável pela articulação política do governo, Ideli Salvatti (Relações Institucionais), afirmou que vai pedir urgência na aprovação do marco civil da internet. O projeto tramita no Congresso Nacional desde 2011 e hoje está em apreciação pela Câmara dos Deputados.